quinta-feira, 17 de abril de 2008

Comunicação de Pedro Baptista, esta manhã, na Rádio Festival


Como todos sabemos, estamos numa economia com um crescimento muito baixo, praticamente estagnada, e com um índice de desemprego altíssimo, que não só não baixa, como só não sobe mais, porque tem sido compensado, principalmente no nosso distrito, por levas sucessivas e intensas de emigração.

Os últimos indicadores não são optimistas, pelo contrário. A situação internacional tem vindo a piorar, sendo de prever a afectação das nossas exportações, o único sector que tem permitido um crescimento embora lento da nossa economia. As previsões do FMI são aterradoras mas mesmo que nelas não acreditemos (acertam tantas vezes quantas erram) a verdade é que o Banco de Portugal já pediu uma revisão em baixa das perspectivas de crescimento.

No entanto, como já tantas vezes afirmamos, a nossa situação concreta no Norte do país é bem pior que no resto. Estamos abaixo da média nacional em todos os indicadores, embora sejamos a única região do país que exporta tanto quanto importa, Estamos abaixo nos indicadores educativos, no poder de compra, na assistência na saúde e social e quando se esperaria que, face a esta situação, os governos do país canalizassem os fundos europeus para a região que se tornou uma das mais pobres de toda a Europa, não é isso que sucede.

Há muito, muito dinheiro a chegar todos os dias ao país vindo do Quadro de Referência Estratégico, senão também não se veriam os sinais exteriores de riqueza que todos vemos. No entanto, se parte deste dinheiro vai obrigatoriamente para as regiões, delas se excluindo a região de Lisboa por ter rendimentos acima da média europeia, o grosso das maquias não vão para as regiões mas ficam nos chamados programas horizontais e esses, não regionalizados, Vão quase todos parar por inteiro para a tal região que não pode receber os fundos europeus por estar acima da média: ou seja para a região de Lisboa.

Não se percebe como no Porto ninguém abre boca. O dinheiro que deveria servir para desenvolver o país, está simplesmente a alimentar uma classe dirigente sediada na capital que assim enriquece. E o mais descarado é que embora escondam estas manigâncias, são capazes de escrever ou de dizer abertamente que Portugal, sendo apenas Lisboa, é nessa região que se devem concentrar os investimentos europeus vindos dos impostos dos europeus e os correspondentes investimentos governamentais vindos dos nossos impostos.

Temos um presidente da Cãmara preocupado em tirar a cantina aos trabalhadores, em passar a patacos o Bolhão, em não gastar dinheiro com jardins, a poupar no papel higiénico, sem uma palavra, uma visão para as grandes questões estratégicas de desenvolvimento do Norte, ou para bater o pé ao desvio descarado dos fundos europeus, chamados horizontais, para a capital.

Temos partidos políticos no Porto que mais parecem delegações da capital, funcionam ao fim-de-semana quando os líderes vêm de Lisboa para descanso, e tentam fazer de cada um de nós uma espécie de portugueses de segunda, como se aqui o norte se tivesse transformado numa nova colónia. Colónia não, uma espécie de província ultramarina, para ser mais suave, como na outra senhora.

Até quando?

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